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31 de março de 2011

trinta minutos,


Os minutos passam devagar, desfilando à minha frente, tal e qual uma procissão com um objectivo desconhecido. Não aguento mais com este Mundo, quero desaparecer. Sim, já sei que não posso. Céus, só quero ir para casa, para casa, para um sítio em que ninguém olhe para mim, para um lugar em que me possa esconder. Trinta minutos. E em vez disso, em vez da paz que tanto quero, aqui estou eu, no meio de uma multidão, sentada nuns degraus quaisquer, a ouvir música, cheia de frio, à espera de um transporte que me leve para casa. Um transporte que parece não ter pressa de vir. Ou será o tempo que não tem pressa? Sinto-me tão sozinha. Oh, quero lá saber da multidão. Estou sozinha, sinto-me sozinha. Vinte e oito minutos. A procissão parece parar de vez em quando. Por um motivo que eu não entendo o tempo passa cada vez mais devagar. Fecho os olhos com esperança que algo mude. Volto a abri-los. Tudo continua igual. Vinte e sete minutos. Não adianta, fecho de novo os olhos e tento não pensar em nada. Ah, música. Um toque no meu braço. Abro os olhos a custo. És tu e estás a sorrir para mim. Porquê? Porque é que sorris para mim? Porque é me tocaste e me despertaste do meu não-sonho, do meu não-pesadelo? Desligo a música e não consigo tornar a fechar os olhos, não consigo não falar contigo, não consigo não sorrir. Quando dou pelo tempo chegou o tal que diz que me vai levar para casa. Despeço-me e entro, empurrada pela multidão. Encosto a minha face, agora quente, à janela fria. Sorrio. Volto a ligar a música e fecho os olhos.

13 de março de 2011

aparências #


Os brilhos são enganadores e habitualmente ferem a vista; agora persigo as pessoas que têm bom coração, o tipo de gente que se torna melhor quanto melhor a conhecemos e que não é a gente que nos atrai á primeira vista. È o tipo de gente que nunca nos deixa só e com quem aprendemos sempre alguma coisa – o tipo de gente mais difícil de encontrar.

5 de março de 2011

o mundo;



"Tu és forte." E eu já perdi a conta às vezes que já me disseram isto, à quantidade de pessoas que já mo disseram, ao número de vezes em que quis acreditar nestas palavras. Pois bem, hoje, hoje tenho uma novidade para o Mundo. Eu não sou forte, nunca fui. Apenas faço de conta que sim, tal como uma criança que finge ser uma princesa num castelo encantado, eu, eu faço de conta que sou forte. E a cada dia que passa engulo mais lágrimas e mais desilusões e escondo o que se passa realmente, apenas para que não se preocupem, apenas para que tudo pareça estar bem. Mas talvez não seja só eu que minta, Mundo faz-de-conta em que todos fingem que são outra pessoa, em que fingem que tudo está bem quando tudo não está, não está mesmo nada bem. E todos engolimos lágrimas e desilusões como se disso retirássemos algum prazer, como se isso fizesse com que não existisse qualquer dor. Engolimos lágrimas tal e qual os grandes escritores, como Camões, faziam fingindo depois que isso os agradava, fingindo que ao escrever que 'morriam' por amor a dor era menor. Tentando convencer os ingénuos que o amor é sempre bom, mesmo que se sofra. O Mundo pode não saber mas o amor, o amor é um vício, o amor é uma droga, que nos consome por dentro e nos destrói a pouco e pouco enquanto, mudos e fingindo-nos felizes, engolimos lágrimas, que contêm a pouca verdade que ainda existe neste Mundo de faz-de-conta.

28 de fevereiro de 2011

indiferença ,

Indiferença – colocar as coisas todas no mesmo plano e considerar todas as acções como equivalentes.




Talvez a indiferença, enquanto tal, seja impossível. O valor surge quando essa indiferença desaparece, quando o mundo deixa de ser para nós um espectáculo e a acção deixa de ser um acontecimento puro, quando nos envolvemos nesse espectáculo e participarmos nesse acontecimento. Introduzir valor neste mundo de loucos é introduzir-lhes diferenças que estão sempre em relação com as preferências. O valor é, inseparável de uma actividade de selecção que opera distinções entre as diversas formas de realidade, de acordo com o que estimamos e com o que recebe a nossa preferência. Só há valor onde a indiferença desaparece. Dar valor é tomar partido perante a realidade.
Termino: quando passas por mim, a indiferença ainda não está presente.

17 de fevereiro de 2011

arrependimento.

Não me iludo de te ter estendido a mão. Fizeste tudo sozinha, desde que começaste no último fosso. Teria podido ajudar-te, não com os meus conselhos ou implorações, não com os meus discursos, mas talvez respirando junto a ti, enchendo o ar que respiravas com o meu cheiro.Mas tu evitavas-me, quando nos encontrávamos mentias.
Eu escolhi esta maneira de te pedir desculpa, em vez de seguir-te a apontar-te o dedo, umas vezes sufocando, outras explodindo a raiva que me fazias, sem nunca conseguir inventar uma medida justa.
Não sei se me perdoaste. Mas o teu silêncio e as minhas palavras deram ao nosso caso o significado de dois indivíduos que queriam encontrar-se mas que são impedidos de o fazer.
Estou toda golpeada no íntimo e marcada de tal modo que me custa dizer-te estas coisas.
Devias ser e não foste uma irmã que faltou.