Lembro-me da primeira vez que entrei para o infantário. Odiava a ideia. Foi por isso que decidi trepar paredes, alagar as salas todas e arrancar pele. Nunca achei piada em partilhar a minha infância com todas aquelas criaturas da minha idade. Tinha horrores. Mas depois disso, tudo melhorou. Lembro-me das histórias de encantar, da peça do lobo mau, da dos índios e de toda aquela euforia. Na altura, não tinha preocupações. Esse é um factor de topo no meio disto tudo. Não me preocupava com horários, tarefas com prazos. Sabia que às 17:00h tinha que estar sentada no sofá a ver batatoon. Talvez tivesse sido a minha única preocupação. Claro que nunca me esqueci quando, com apenas canetas de feltro e lápis de cor, pintei o meu quarto com tudo o que nele vinha incluído. E sim, refiro-me a cortinados, almofadas, edredões. a arte estava-me à flor da pele. Oh, e nunca me esqueci o vento na minha cara quando baloiçava de um lado para o outro, como que alguém que não sabia o que seria o amanhã.
tenho saudades da inocência de uma criança.
